IGMI-R JUNHO 2025
Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial
(IGMI-R)
O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) subiu 1,19% em junho, mostrando desaceleração frente à variação de 1,44% registrada em maio. Apesar da perda de ritmo no curto prazo, o índice acumulado em 12 meses avançou de 11,36% para 11,73%, indicando continuidade no processo de valorização dos imóveis residenciais.
No Sudeste — maior mercado imobiliário do país e com peso expressivo na composição do índice nacional — duas das três capitais analisadas apresentaram desaceleração na variação mensal entre maio e junho. Em São Paulo, a taxa recuou de 1,68% para 1,21%, e em Belo Horizonte, de 1,76% para 1,24%. Já o Rio de Janeiro seguiu na contramão e registrou leve aceleração, com a variação mensal passando de 0,94% para 1,12%. Esses movimentos revelam dinâmicas locais distintas, influenciadas pelas condições específicas de oferta, demanda e crédito imobiliário em cada mercado.
No Nordeste, apenas Salvador apresentou aceleração tanto na variação mensal quanto na interanual. A taxa mensal passou de 0,06% em maio para 1,24% em junho, enquanto a variação acumulada em 12 meses avançou de 17,57% para 18,76%. Já Fortaleza e Recife registraram desaceleração nas variações mensal e interanual, com taxas menores em junho na comparação com o mês anterior.
Na região Sul, todas as capitais analisadas registraram aceleração na variação mensal dos preços residenciais. O destaque foi Curitiba, cuja taxa mensal subiu de 1,28% em maio para 1,67% em junho, enquanto a variação acumulada em 12 meses avançou de 13,02% para 13,99%. Porto Alegre também apresentou aceleração na margem, com a taxa mensal passando de 0,30% para 1,45%. No entanto, na comparação interanual, houve leve desaceleração, com a variação em 12 meses recuando de 7,43% para 7,22%.
No Centro-Oeste, o comportamento dos preços foi divergente nos diferentes horizontes de comparação. Ambas as capitais analisadas apresentaram desaceleração na variação mensal, mas leve aceleração no acumulado em 12 meses. Em Brasília, a taxa mensal diminuiu de 3,70% em maio para 2,11% em junho, ao passo que a interanual avançou de 4,40% para 4,59%. Em Goiânia, o movimento foi semelhante: a variação mensal recuou de 1,80% para 1,04%, enquanto a taxa em 12 meses subiu marginalmente de 10,87% para 10,95%. Esses resultados sinalizam perda de fôlego de curto prazo, embora o ritmo de alta continue ligeiramente mais forte na comparação anual.
Em junho de 2025, o IGMI-R nacional acumulou alta de 6,02% no primeiro semestre, ritmo um pouco abaixo do observado no mesmo período de 2024 (6,96%), mas bem superior ao crescimento registrado no primeiro semestre de 2023 (3,44%). A comparação evidencia que, apesar da desaceleração em relação ao ano anterior, o mercado imobiliário segue aquecido em 2025, consolidando a trajetória de recuperação iniciada em 2023. Entre as capitais, Brasília continua se destacando: a variação acumulada no primeiro semestre passou de 11,86% em 2024 para 10,62% em 2025, mantendo-se em patamar elevado. Em Belo Horizonte, o movimento foi de forte desaceleração, com a taxa caindo de 19,15% para 6,68%. Já São Paulo (5,98%) e Fortaleza (3,98%) apresentaram comportamento estável em relação a 2024, enquanto capitais como Salvador e Recife mostraram arrefecimento moderado. O desempenho do primeiro semestre de 2025 confirma um cenário de acomodação dos preços residenciais em várias regiões, após dois anos marcados por pressões de custo e reequilíbrio entre oferta e demanda.
Em junho de 2025, o IGMI-R acumula alta de 11,73% em 12 meses, retomando o patamar observado no início de 2022 e confirmando a intensificação recente no ritmo de valorização dos imóveis residenciais. A curva do gráfico mostra que, após a desaceleração ao longo de 2023, o índice voltou a subir com consistência a partir do segundo semestre de 2024, refletindo um ambiente de demanda resiliente. Já o INCC, após desaceleração entre 2022 e 2023, estabilizou-se em torno de 7% nos últimos meses, sinalizando que os custos de construção permanecem pressionados, especialmente pela mão de obra e insumos selecionados. A leitura conjunta dos dois indicadores revela que o atual ciclo de valorização imobiliária não é impulsionado exclusivamente por aumentos de custos, mas também por fatores como recomposição de margens, escassez de lançamentos e mudança no perfil de demanda. A manutenção simultânea de IGMI-R e INCC em níveis elevados reforça a tendência de pressão persistente sobre os preços dos imóveis no curto prazo.
Em junho de 2025, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) acumulou alta de 5,54% em 12 meses, confirmando a tendência de desaceleração iniciada no final de 2024. Apesar do avanço de 1,02% na variação mensal, o ritmo de reajustes tem perdido força na comparação interanual. A conjuntura de juros elevados, embora tenda a favorecer a demanda por locação em detrimento da compra, também impõe restrições à renda disponível das famílias, tornando os locatários mais cautelosos. Nesse cenário, os repasses de preços encontram maior resistência, limitando os reajustes e sinalizando um mercado de locação em fase de reequilíbrio. A queda consistente da taxa acumulada ao longo de 2025 reforça essa leitura, apontando para um ambiente menos pressionado no curto prazo.
Em junho de 2025, o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) acumulou alta de 11,73% em 12 meses, mais que o dobro da inflação medida pelo IPCA, que atingiu 5,35% no mesmo período. Essa defasagem evidencia que os preços de venda dos imóveis seguem uma trajetória própria, menos sensível à desaceleração inflacionária da economia. A persistência dessa diferença ao longo do tempo pode ser atribuída à rigidez da oferta, ao encarecimento dos insumos da construção nos anos anteriores e à resiliência da demanda em determinados segmentos e regiões metropolitanas. Como resultado, o valor dos imóveis tende a se manter em alta, reforçando seu papel como ativo de preservação de valor em cenários de incerteza econômica.
Em junho de 2025, o avanço do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que alcançou 7,22% em 12 meses, voltou a superar o ritmo de reajuste dos aluguéis, medido pelo IVAR, que desacelerou para 5,54% no mesmo período. Essa inversão sinaliza um descompasso entre os custos de produção de novos imóveis e o retorno esperado via locação, o que pode pressionar os preços de venda, sobretudo em regiões com alta demanda.
Diante dos dados apresentados pelo IGMI-R, verifica-se que os preços do mercado imobiliário residencial apresentaram trajetória de valorização consistente até o presente. O avanço acumulado do índice, superior ao da inflação e dos demais índices analisados, evidencia um descolamento do preço dos imóveis em relação a outros indicadores da economia, refletindo não apenas os custos de construção, mas também dinâmicas específicas do setor.



